O que é a vigilância ativa
Muitos cânceres de próstata crescem devagar e nunca chegariam a causar problemas ao longo da vida do paciente. Tratar esses tumores com cirurgia ou radioterapia expõe o paciente a efeitos como perda de urina e alterações na ereção, sem ganho real.
Na vigilância ativa, o tumor é acompanhado com exames programados. O tratamento com intenção de cura é indicado apenas se houver sinais de que a doença está se tornando mais agressiva. Não é “deixar de tratar”: é tratar no momento certo, se e quando for necessário.
Para quem a vigilância ativa é indicada
A vigilância ativa é a principal recomendação para o câncer de próstata de baixo risco e pode ser considerada em casos selecionados de risco intermediário favorável. Em geral, os critérios incluem:
- Tumor de grau baixo na biópsia (Gleason 6, ou ISUP 1)
- PSA geralmente abaixo de 10 ng/mL
- Doença restrita à próstata no exame clínico e na ressonância
- Pequena quantidade de tumor na biópsia
- Disposição do paciente para manter o acompanhamento regular
Como é feito o acompanhamento
PSA periódico
Geralmente a cada três a seis meses, para avaliar a evolução ao longo do tempo.
Exame clínico
Feito periodicamente pelo urologista, junto com a revisão dos exames.
Ressonância da próstata
Repetida em intervalos definidos, para acompanhar o tamanho e o aspecto da lesão.
Biópsia de confirmação
Costuma ser repetida cerca de um ano após o diagnóstico e depois conforme a evolução e os achados da ressonância.
Quando a vigilância dá lugar ao tratamento
O tratamento é indicado quando aparecem sinais de progressão, como aumento do grau do tumor em nova biópsia, crescimento da lesão na ressonância ou subida consistente do PSA. Também é possível mudar de estratégia por preferência do paciente.
Nesses casos, as opções incluem a terapia focal com HIFU, quando a lesão é localizada, a prostatectomia radical robótica e a radioterapia. Os estudos mostram que, para pacientes bem selecionados, iniciar o tratamento nesse momento não reduz as chances de controle da doença.
A vigilância ativa só é segura com acompanhamento disciplinado. Faltar aos exames programados é o principal risco dessa estratégia.
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