O tratamento começa pela classificação do tumor
A escolha não depende só da preferência do paciente. Ela parte das características do câncer: o grau na biópsia (escala de Gleason ou ISUP), o valor do PSA, a extensão do tumor na ressonância e se a doença está restrita à próstata.
Com essas informações, o tumor é classificado em risco baixo, intermediário ou alto. É essa classificação que define quais tratamentos fazem sentido, incluindo, em alguns casos, apenas o acompanhamento com vigilância ativa.
Duas estratégias diferentes
HIFU · terapia focal
Ultrassom focalizado de alta intensidade aplicado por via transretal, sob anestesia, sem cortes. Trata apenas a área do tumor identificada na ressonância e na biópsia, preservando o restante da próstata. Em geral, a alta é no mesmo dia ou no dia seguinte, com sonda por alguns dias.
Prostatectomia radical robótica
Retirada completa da próstata e das vesículas seminais, com a plataforma Da Vinci, por pequenas incisões. Remove todo o tecido prostático e permite a análise completa da peça. A internação costuma ser de um a dois dias, com sonda por cerca de uma semana.
Para quem cada opção costuma ser indicada
HIFU
Câncer localizado de risco baixo a intermediário, com lesão bem definida na ressonância e confirmada na biópsia, em pacientes que valorizam preservar a continência e a função sexual e aceitam um seguimento rigoroso. Também é opção em casos selecionados de recidiva após radioterapia.
Cirurgia robótica
Tumores de risco intermediário com doença em várias áreas da próstata, tumores de alto risco localizados e pacientes que preferem a retirada completa da glândula. Também pode ser feita depois de um HIFU, se necessário.
O que muda no dia a dia
Continência urinária
Após o HIFU focal, a perda de urina é pouco frequente. Após a prostatectomia, algum grau de perda é comum nas primeiras semanas e melhora com o tempo e com a fisioterapia pélvica na grande maioria dos pacientes.
Função erétil
O HIFU focal tende a preservar melhor a ereção, por tratar uma área menor. Na cirurgia, técnicas de preservação dos nervos e a reabilitação peniana ajudam na recuperação, que pode levar meses.
Retorno às atividades
Após o HIFU, atividades leves em poucos dias. Após a prostatectomia robótica, em duas a quatro semanas, conforme a orientação médica.
Controle do câncer e acompanhamento
Depois da cirurgia, o PSA deve ficar praticamente zerado, o que torna o seguimento simples: qualquer elevação indica atividade da doença.
Depois do HIFU, parte da próstata permanece e continua produzindo PSA. O acompanhamento combina PSA periódico, ressonância e, quando indicado, nova biópsia. Se aparecer tumor em outra área ou na mesma região, o HIFU pode ser repetido, e a cirurgia e a radioterapia continuam disponíveis. Por isso, o seguimento regular faz parte do tratamento.
Não existe um tratamento melhor para todos. Existe o tratamento certo para cada tumor e para as prioridades de cada paciente.
Como a decisão é tomada
Na consulta, reviso a biópsia, a ressonância e a evolução do PSA, explico as opções que se aplicam ao seu caso, com os benefícios e os riscos de cada uma, e decidimos juntos. Meu mestrado no Hospital Israelita Albert Einstein foi dedicado ao HIFU, comparando seus resultados com os da prostatectomia robótica, e realizo os dois tratamentos.
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